Muita calma nesse momento! Não é uma crônica religiosa, prometo. Mas é que tem um certo baixinho, magrinho e rasta, que quando abre a boca vira um gigante. E quando sobe em um palco, vira deus! Que posso fazer, sou louca pelo Djavan e em 08/07, terça-feira passada, ele fez show em Madri.
É outro que, felizmente, quase não muda. E se muda, é sempre para melhor. Ainda por cima ele é flamengo.
… é surpresa demais que trazes, ainda bem que eu sou flamengo… mesmo quando ele não vai bem, algo me diz em rubro-negro, que o sofrimento leva além, não existe amor sem medo… quem não tem pra quem se dar, o dia é igual a noite…
Pois lá fomos nós! Bom, nós e toda a colônia brasileira. Encontramos um monte de gente conhecida. Se bem, que havia bastante espanhóis também.
Sou tão tiete do Djavan que digo não ter maturidade em conhecê-lo pessoalmente, tenho certeza que vou pagar o maior mico. Vai parecer aquela conversa de bêbado: pô cara, gosto de você pra caramba! Sei lá, ele tem o dom de me deixar feliz através das músicas.
… sei lá, o que te dá, não quer meu calor…
Acho as letras complexas, inteligentes e ao mesmo tempo acessíveis. São geniais sem serem pretenciosas. Ele combina palavras de maneira inusitada, traduz cores, cria verbos, ele pode, né?
E quem consegue cantar o que canta Djavan? Caraca, tudo bem que não sou cantora, mas nunca consigo encontrar o tom para cantar suas músicas. Ele tem o seu próprio, particular, praticamente impossível para os seres humanos normais. E mesmo assim, a gente canta com ele porque não dá para segurar.
Tá bom, tá bom, chega de tietagem, acho que já ficou claro o suficiente. Vamos ao show. Aconteceu em Conde Duque, em um pátio interno, totalmente ao ar livre, muito bonito e agradável. Tem uma boa estrutura e um bar que não vende só cerveja.
Resumindo, assistir Djavan, bem acompanhada, com amigos, boa estrutura, comida, bebida… do que vou reclamar? Não quero outra vida.
… tudo que Deus criou pensando em você, fez a via-láctea, fez os dinossauros. Sem pensar em nada fez a minha vida e te deu. Sem contar os dias que me faz morrer, sem saber de ti, jogado à solidão. Mas se quer saber se eu quero outra vida… não… não…
O único defeito do show foi que ele só voltou uma vez depois do final. A brasileirada, que não desiste nunca, bem que ficou aplaudindo e tentando fazê-lo voltar, mas nada. Para mim e minha amiga, que também morou em Brasília, ficou faltando uma música, a mesma que escolhi para Madri.
Não tem problema, se não cantou ele, cantamos nós e resolvemos o assunto.
… passa mais além do Céu de Brasília, traço do arquiteto, gosto tanto dela assim… gosto de filha, música de preto, gosto tanto dela assim… mas é doce morrer nesse mar de lembrar e nunca esquecer… se eu tivesse mais alma pra dar, eu daria, isso para mim é viver…




Escrito por Bianca

Escrito por Estevão
Escrito por Estevão






